domingo, 28 de novembro de 2010

Daylight

Com passos rápidos pelas ruas, ele andava não a procura de um lugar tranquilo, ou de um abrigo, procurava um esconderijo, onde ninguém poderia o enxergar. 
Perdido no caminho, as pessoas, inevitavelmente, olhavam suas expressões, elas pareciam decifrá-lo num instante. Em pouco tempo, seus medos, suas procuras e desejos eram descobertos e levados por estranhos para lugar nenhum.
Andava mais rápido e o Sol, escondido por trás das pesadas nuvens, deixara escapar um fino e quente raio.
Seu rosto iluminou, seus olhos se fecharam, pouco podia ver, mas não era preciso enxergar, apenas sentir e notar que uma esperança, inesperadamente, surgira em seu peito.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Paradoxo

Levo sobre meus ombros esse peso. No meu peito descansa uma angústia e esse desconforto que me cerca parece nunca acabar.
Revejo em minha mente cada movimento, relembro as cenas e as guardo como se fossem tesouros. Mas quero descartá-los como nunca quis, rasgá-los e, enfim, libertar minha mente.

As horas passam num instante, os minutos duram eternidades.

Palavras são soltas sem sentido, mas os olharem fazem uma perfeita conexão.

Nesse paradoxo, eu me sustento, e meus pensamentos nele livremente pareiam.
A tempestade me cobre, como há muito tempo fazia. Não sei se aguentaria. Não mais uma vez.

Meus olhos se fecham, a escuridão me preenche. Ao tempo que me coração se abre, me iluminando aos poucos com a esperança que surge em mim.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ivy & Gold

Eram apenas duas crianças, pequenos seres que pouco sabiam da vida. Irracionais, inconsequentes, imprevisíveis.
Eles corriam por entre as árvores, rindo pelas cócegas que as largas folhas daquelas velhas árvores faziam. De longe conseguiam escutar o som do rio batendo sobre as pedras, uma melodia suave, que eles adoravam. Se debruçavam e, sem medo de se molharem, contavam os peixes e observavam os sapos gordos e inertes por tanto tempo.
O Sol brilhava mais e a alegria dos dois pequenos aumentava, voltavam a correr para qualquer direção, sem um destino final.
Pássaros cantavam e juntos conversavam sem muito se entender.
A tarde chegava e, somente dessa vez, voltavam caminhando à suas casas para um descanso tranquilo.
Ansiosos já pensavam sobre o amanhã. Sabiam que novamente acordariam e a mesma peça se repetiria. Mas eles não ligavam, adoravam ser as principais personagens dessa cena toda.

♫: Ivy  & Gold - Bombay Bicycle Club


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Palavras

Hoje eu acordei com uma vontade imensa de escrever. Jogar palavras pelo ar, mesmo que estas não fizessem sentido. Através delas, queria desenhar os mais profundos oceanos, descrever a tranquila sensação do vento batendo em meu rosto, do Sol iluminando toda aquela imensidão e do calor que surgia em volta.

Com as palavras eu queria me imaginar no lugar mais belo de todos, um lugar abstrato, onde, talvez, ninguém realmente conheça. Elas me encheriam de amor, paz e felicidade. O que eu mais desejava. 
As palavras me trariam a alegria de conhecê-las e poder tocá-las, poder usá-las a qualquer momento. Concretizar, de certa forma, o que há um bom tempo estava guardado em mim. Elas poderiam não fazer sentido, mas só de me realizarem já bastava.

Hoje eu acordei com uma vontade imensa de escrever. E acho que consegui. O que queria