quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Clichês de fins de ano

Todos sabem que mais um ano está por vir. Isso é tão clichê quanto textos de fim de ano.

Tão clichê quanto as enormes listas de metas e promessas para o ano que está por vir. E pouquíssimos itens são fielmente cumpridos.
Tão clichê quanto relembrar o que se aprendeu, do que se arrependeu, do que passou. Tão clichê quanto guardar os momentos que, de alguma forma, serão eternos.
Tão clichê quanto os amores que começam e acabam. Assim como relações começam e te levam a lugares inesperados, e outras que, tomam um fim, sem mesmo perceber.

Fins de ano são clichês, como qualquer outro.

Por isso eu desejo para cada um, um 2011 cheio de clichês incríveis, doces e alegres. Afinal, há coisa melhor a se lembrar do que um clichê?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Poesia viva

Era uma cena totalmente diferente daqueles natais americanizados ou qualquer padrão já estabelecido antes. 
A neve não caía do céu, as pessoas nas ruas pequenas, ainda de paralelepípedos, não se comprimentavam desejando boas festas, estavam apenas concentradas nas suas próprias famílias, sorrindo e andando até o seu destino final. O sol quente queimava as cabeças de um casal de velhinhos sentado naquele antigo banco de madeira, onde, para eles, já era quase um clichê.
As poucas árvores raramente dançavam com o vento, estavam só preocupadas em exibir suas largas folhas verdes e troncos fortes, onde os pássaros se acomodavam e por um bom tempo cantavam.

E ele caminhava diante dessa poesia viva, sentindo o Natal já chegando. Um Natal que não era comum, uma celebração, que para muitos seria só mais uma em suas vidas, mas para ele não. Mesmo não entendendo muito bem o porquê.
Segurou forte a mão de sua amada e continuou em frente, só desejando estar com ela naquela festa deliciosa. Ou até mesmo mágica.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Catarse

Estou aqui mais uma vez, olhando o tempo passar, levando consigo minhas lembranças, deixando-me sozinha para mais um tempo que está por vir. Ele as levas para longe, de forma que eu não posso tocá-las. Mas eu as guardo dentro de mim, de maneira que ninguém poderá arrancá-las por completo.
 
2010. Um ano pelo qual nunca imaginei que passaria, ou, pelo menos, demoraria um bom tempo até experimentar o que a vida tem reservado.
Aprendizado. É assim que posso definir o meu ano. Junto com muitas, muitas emoções, eu diria. Para mim é complicado dizer toda a bagunça que passou em minha mente. As tempestades nas quais eu enfrentei. Mas, agora, eu percebo as quão necessárias elas foram. Mas só agora eu pude perceber o porquê eu as superei. E eu agradeço a Deus, e somente a Ele por isso. Agradeço por ter me escolhido e ter me dado a sabedoria necessária para eu andar firme em seu caminho. Agradeço por ter me entregado maior amor do mundo. Agradeço de toda a minha alma.
Indefinição. Ironicamente eu não consigo colocar em uma única palavra as sensações que tive durante esse ano. Tristeza. Alegria. Amor. Como em todos os outros pelos quais eu já vivi. Mas somente uma que sempre esteve presente dentro de mim: Satisfação. Uma satisfação diferente. Não daquelas em que a felicidade transborda do meu coração, em que eu quero pular e gritar de emoção. Não. Uma satisfação tranquila. De paz.
Satisfação em ter feito amizades incríveis, onde eu nunca pensei que eu aprenderia tanto. Mantive outras essenciais, assim como também, vi uma “eterna” relação de confiança se desgastar.
Descobri que certas coisas são inevitáveis. Como o desespero a se ver diante de inúmeras provas e um tempo curtíssimo de estudo. Como a alegria de jantar com a família e perceber, enfim, a quão sortuda eu sou. Como o carinho de uma amizade se tornar tão forte. Como a paz de estar na presença de Deus.  Como o amor que, da mesma forma que este nasce, também morre, ou simplesmente, fica esquecido.
Um ano tão tumultuado que pensei que seria o pior até agora. Mas hoje olho para trás e vejo quanto estava enganada. Sentir é mais que necessário na vida. Sentir, e guardar, tudo que, aos poucos, ajuda a construir quem eu realmente sei quem eu sou. 

Aqui estou novamente, não pela primeira e muito menos pela última vez, olhando o tempo correr em minhas mãos e pensando o que virá. Mas com isso, eu tento não me importar demais, afinal, surpresas virão e o destino, mas uma vez, brincará comigo. E eu com ele.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Neste momento, não consigo encontrar belas palavras, expressões que realmente me ajudem a demonstrar o que há dentro de mim. 
Eu as persigo, mas elas fogem de mim, como nunca fizeram antes.
Elas sumiram. Se foram. Para bem longe.


E eu continuo aqui, observando-as correndo para uma direção qualquer.
Não há nada que posso fazer. A não ser continuar aqui, nesse mar de silêncio, onde, calmamente a tristeza me domina. Um predador sútil, que, de uma forma confortável, me envolve em seus braços de frieza.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mecânico

Passos largos e apressados eram dados todos os dias. Pastas pesadas e papéis importantes eram cuidadosamente carregados por mãos cansadas. Fantasiados de ternos quentes andavam sempre a diante. com um olhar vazio direcionado a um único objetivo, nada mais.

Prédios cinzas competiam para ver quem chegava mais próximo do céu escuro e pesado. A repetida melodia que os carros faziam todos os dias, já era como um silêncio, um barulho comum. Música aos ouvidos desatentos.

Durante essa correria, pássaros se refugiavam em seus ninhos, as árvores ficavam escondidas e perdidas em alguma esquina qualquer, as flores afrontadas, não saíam mais, só dormiam.

Tudo se resumia em algo chulo.
Uma rotina mecanizada. Um cotidiano vazio.