terça-feira, 20 de dezembro de 2011




Eu, como um medíocre narrador, e mais ainda, como um pobre admirador de cenários que nada fazem parte de minha vida, confesso que, há uns dias, assisti a cena mais bela de minha vida.              
De amor, eu evito ao máximo falar. Afinal, para que narrar histórinhas que tantos já estão cansados de ler? Gosto de ter minhas palavras admiradas, não lidas de forma corriqueira e, inevitavelmente, esquecida num piscar de olhos. Não. Estas devem ser contempladas, assim como qualquer outra. Perdoem-me a distração, mas a questão é que aquele casal, de fato, prendeu o meu olhar.
Quem passasse por ali, talvez, pouco perceberia o casal... ordinário (Mas que calúnia!). Pobres pessoas distraídas, mal sabiam o que perdiam.
Sentados, inexplicavelmente, dançavam ao som de uma suave melodia que estava sabe-se lá onde. Estaria eu ficando louco? É isso que pensa? Imagina! Mas eu vi, e somente eu, enxerguei a simplicidade e a vontade de acompanhar a tal valsa através daqueles dois sorrisos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Duvido um pouco.

Eu não entendo.
Algumas pessoas (de bom coração) dizem admirar a minha forma de escrever (e neste momento eu me gabo por alguns instantes).
Mas logo depois, chego a duvidar.
Afinal, todos, de certa maneira, conseguem escrever.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Até um dia.

Uma vez, desisti de escrever. Simples assim.
Não que fosse falta de... Como se chama mesmo? Me fugiu a palavra. Bom, ideias, talvez, não faltavam. O que faltava mesmo era vontade.
As palavras vinham, mexiam comigo e ficavam em minha volta para ver até quando eu aguentaria, mas eu ficava sem reação, olhando o papel de longe, achava-o mais bonito como estava: vazio... Me dizia tão mais.
Acho que não era eu. Ainda não entendo o que de fato aconteceu naqueles tempos.
Nunca descobrirei.

Se eu voltei a escrever? Duvido.
Mas as vezes eu sinto falta, o que me leva a rascunhar algumas bobagens, mas palavras, ficam bravas comigo e não gostam de ser desperdiçadas assim, em vão.



Sim, estou passando por um período sério de abstinência de escrita. Talvez seja uma fase, talvez não, quem sabe?
Mas desse mundo eu não sairei. Eu o meu caro amigo Bertonie, começamos um blog sobre cinema, literatura, música e derivados (existem?) - algo nada muito complexo, apenas para distrarir. Espero que gostem!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Amélia

Amélia era uma moça de olhos escuros. Olhos pelos quais não eram fáceis de se esquecer, ficavam na memória e durante algumas noites assombravam alguns corações solitários, porém logo desapareciam durante dia - e poucos sabiam para onde iriam.
Mas, para ser sincero caro leitor, Amélia pouco cuidava de seus olhos Capitu - como alguns ousavam os chamar. O que ela realmente gostava era de seus cabelos.
Nada era mais prazeroso do que deixá-los crescerem durante meses, cultivando cada fio dourado como um frágil amor e então, como alguém sem misericórdia, meter-lhes a tesoura. Ah! Como gostava de ver todas aquelas madeixas espalhadas pelo chão, intactas, fadadas apenas a refletir a luz que ali estava até alguém passar uma vassoura antiga.
Amélia era assim, impresivisível. Uma jovem que pouco reparava nas coisas, andava distraída por olhar os detalhes que poucos notavam nas ruas e a cantar desafinada alguma canção que sua mãe lhe ensinara na infância.
E assim, me sinto obrigado a confessar que, caso em um dia, algum ser desprovido da vergonha lhe elogiar seu olhar, ela ficaria surpresa, pouco esperaria por tal ato. Mas logo esqueceria e voltaria para casa, mexendo em seus cabelos, ansiosa por cortá-los mais uma vez.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Devaneios de uma memória traiçoeira

A idade sempre foi uma das coisas que mais me intrigaram durante a vida.
Não o número em si. Afinal, pouco importa quantos dias foram vividos por ti até hoje. O que realmente me incomoda, em um bom sentido, é essa experiência. E aí eu me perco em devaneios que sabem-se lá quando cessarão.
Vivemos, morremos. E durante a vida, temos nossas mortes; algumas pelas quais todos souberam e outras que nunca saberão. Eu morri de amor uma vez. Mas antes, o desespero enfiou uma faca em meu peito, jorrando o tão impuro sangue pelo chão que meu amor acabara de limpar. Mas logo o pano fez seu trabalho e a água levou meu sangue a um bueiro qualquer - em poucos dias, estava eu ali, vivo a admirar todo esse meu ontem assustador. Cena exagerada, que ninguém faz questão de lembrar. Isso tudo faz parte daquela coleção de dias que não lembramos, que quase passam despercebidos. Então por que me lembro disso até agora? Eu disse quase, quase não lembramos. Não disse? Essa foi mais uma excessão.
Eis que chego ao ponto que tanto me intrigou. A memória é traiçoeira, facilmente nos engana, dizendo que esta será eterna. Agora, eu mal lembro o nome daqueles que vieram me visitar, só porque não levanto há um tempo. Essa gente preocupada....Mas eles são jovens, lembrarão meu nome durante a vida toda deles, a não ser quando estiverem aqui, deitados nesses lençóis tão macios.

Foi a Idade quem me trouxe para cá. Me carregou durante todo esse tempo em seus braços, sem me deixar fugir uma vez se quer. Quisera eu ser tão forte assim... eternamente. Bobagem! Aqui está ela, me vendo ter esses pensamentos dos quais ninguém terá interesse de ler - muito menos de compreender. Fiz um único pedido a ela: que me trouxesse aquela bolsa, cheia da minha memória. Mas a tola, sempre tão egoísta, fez questão de soltar numa esquina qualquer. Ela, agora, sorri para mim, mas eu mal consigo lembrar o seu nome.

domingo, 14 de agosto de 2011

Filme - Apenas o Fim

De uns tempos para cá tenho prestado bastante atenção no cinema nacional. Várias e várias pessoas criticam, julgam mal dizendo que só existem aquelas comédias baratas e histórias totalmente descartáveis... Uma pena que tantas pessoas têm essa visão tão cansada e supérfula sobre os filmes que aqui são produzidos.
Existe uma quantidade enorme de filmes brasileiros de ótima qualidade, ah se existem! E como faz um bom tempo que não indico nada por aqui, decidi falar sobre uma comédia romântica (que mesmo não sendo um filme tão recente) rapidamente se tornou em um dos meus filmes favoritos!

Apenas o Fim 
Brasil, 2008.



Dirigido por Matheus Souza - criador de uma das melhores séries da tv brasileira, o filme conta sobre o fim de um relacionamento de um casal nada padrão.
A medida que a história se desenrola, quando você se dá conta, já está vivendo ao lado dos dois, rindo e divindo cada memória ali contada.
É impressionante a facilidade com que Gregório Duviver (um ator digno do meu amor rs) e Érika Mader conquistam o público com a doce atuação de ambos e os diálogos mais inesperados e geniais de tão simples e engraçados que são.
O roteiro é simples, assim como a fotografia e a trilha sonora, o que me fez concluir de que Apenas o Fim é a prova concreta de que não se precisa de milhões efeitos especiais e algo complicado para fazer um filme realmente bom.
Encantador. Esse é o filme em uma palavra só.

domingo, 7 de agosto de 2011

Os tais segundos dos quais ninguém se sabe

Uma vez, quando eu ainda mal sabia o que era viver, me disseram que no momento exato antes de morrermos nossa vida inteira se passa diante dos nossos olhos desesperados e então estamos prontos para ir embora.
Eu, como sempre, não acreditei nessa bobagem. E vou lhe contar um segredo, estava com um pouco de razão, não totalmente, mas uma parte eu estava certo sim.
Pessoas, como muitos estão cansados de saber, exageram. Mas essa retrospectiva momentânea não é daquelas com uma trilha sonora, filmes de momentos aleatórios da nossa infância... Não.
Tudo bobagem. Fantasia de poeta.
Comigo a vida pareceu, pela primeira vez, passar devagar até que segurei levemente suas mãos como velhos amigos,  e andamos a um lugar que eu mal consigo me lembrar onde era, mas as cores de lá, ah, que cores! Se eu pudesse guardaria todas em uma caixa para poder olhar quando quisesse. Encantado.
Quando eu achei que sentiríamos uma brisa gelada, que escutaríamos o vento dizendo qualquer coisa, ela soltou minha mão rapidamente e riu.
Fugiu.
Quanto a mim? Fiquei aqui, sozinho, esquecido nesse lugar sem nome, e sem uma lembrança se quer de uma infância gravada em pedaços em fitas velhas. Se eu ao menos tivesse as tais cores comigo...  

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pode ser cruel a eternidade



- "Caberá ao nosso amor o que há de vir"
- Você faz isso de propósito.
- Fazer o que? Cantar? 
- Você não está só cantando, acha que sou boba.
- Se não estou cantando, estou fazendo o que?
- Dizendo coisas das quais você queria que eu acreditasse.
- Mas você é medrosa demais para encarar tudo isso.
- Encarar tudo isso o que?
- O destino.
Com uma risada um tanto tensa, a menina de tanto temor, procurou as melhores palavras para desmentir tamanha verdade que acabara de ouvir. Tudo em vão. Se sentou, fechou os olhos por uns segundos e voltou a olhar o rapaz que parecia ser feito de coragem. Não se esforçou em dizer algo, esperava que, pelo menos desta vez, seu olhar não lhe entregasse. Tudo em vão.

O rapaz provido de toda aquela imagem quase que intacta, olhou e viu sua vida naqueles olhos tristes. Sentou ao seu lado, fechou os olhos com medo de se ver mais uma vez, e a abraçou com todo o amor que estava ainda tão jovem em seu coração.

A música, por sua vez, ainda dizia aos ouvidos receosos toda verdade; uma eternidade má, mas que os levariam para onde quisessem.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Em sigilo, explodiu.

E justo Ela, que passou sua vida inteira evitando tal assunto, é agora a criatura que mais pensa em tal.
Não só no sentimento em si, que sejamos bem claro, mas principalmente no terceiro, o qual lhe vem causando tanto incomodo. 
Seremos bem discretos, por tal motivo, nenhuma identidade será aqui revelada - tudo no mais puro sigilo, como a mesma desejou. 
Começou tudo meio estranho - mas nada diferente do que eu e até mesmo vocês não tenhamos passado. A pobre ria sozinha somente por ter lembrado do tal rapaz; fazia associações toscas e sem sentido, mas para Ela tinha e logo depois sorria por longos e intermináveis minutos.
Um tempo passava, Ela se sentava e parava. Volta para si e sentia um ódio de si mesma, ah como sentia! Por que rir sozinha? Estava ela ficando louca? Não pensava em nada mais, e por algum motivo, não se cansava de ficar nessa mesmisse. 
Uma rotina inacabável de tantas ações iguais. De tantos sentimentos. Não ia ser capaz de aguentar.
"Vou explodir a qualquer momento! Impossível isso estar acontecendo"
Mas aconteceu.
Como se odiava por estar sentindo algo que tanto repudiou. Ela não foi tão forte quanto pensava. Era fraca.
Uma fraca tola que se rendia a todos esses sintomas do... Bom, você sabe.

- Mas para que então quer um documento, seja este o que for, para registrar o que sente, menina?
- Para me lembrar da primeira vez em que eu tive (quase) a coragem de confessar tudo o que há dentro de mim.
E explodiu.

Blah, não faz sentido. E talvez nunca fará.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pequeno Dilálogo entre o Falso Poeta e um Homem Qualquer

- Naquela manhã, eu não vi o Sol nascer, mas eu sabia que ele já estava lá.
- Ah! Como você é clichê.
- Mas eu disse alguma mentira?
- Não... Mas podia ter dito de outra forma. Ou quem sabe esquecer um pouco esse seu lado poético por alguns instantes.
- Tolice a sua. As pessoas subestimam muito os clichês, isso não me agrada nem um pouco.
- Quer dizer então, que você defende a padronização de frases de efeito e palavras bonitas?
- Nunca ousei nem pensar nisso! Enlouqueceu?
- É o que você está deixando a entender, caro poeta.
- Nada disso.
- Me diga, o que é, afinal?
- Talvez não seja tão fácil de você enxergar da mesma forma que eu, é complicado. O clichê não passa de uma verdade cansada; é sincero: simples e honesto. Apenas não há mais como dizer tal.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ah, Marília!

Se olhava naquele espelho pequeno há tanto tempo que esquecera, por alguns instantes, o mundo que existia para fora da janela.
Recontando suas sardas, mais uma vez - mesmo não gostando de todas aquelas manchas um tanto dispensáveis, tinha uma maior sensação de poder sobre as mesmas. Bobagem!

Marília, se pudesse, mudava seu nome sem pensar muitas vezes; gostava de tantos outros, menos Marília e justo com o que ela fora... presenteada. Falta de sorte - era o que dizia seu mantra.

Mas uma coisa que nunca mudaria, eram seus olhos, aqueles responsáveis pelo tão clichê "janelas da alma". Aquele castanho brilhava, era diferente dos demais, quem os visse, raramente, voltava a dizer que somente olhos azuis eram os belos. O que ela não sabia era que seu olhar, era o que marcava; olhar sincero, tão difícil de esquecer tamanha simplicidade.

Ah, Marília. Sempre dizia que sabia; nunca esquecia de nos contar uma história se quer. Reclamando a cada manhã, se desculpando em todo o entardecer.
Ah, Marília! Tão velha alma num rosto, ainda, tão puro.

quinta-feira, 23 de junho de 2011


São poucas as lembranças que me vêem a mente quando eu penso em você - talvez por que o tempo decidiu as levar, talvez porque você não deixou tantas coisas por aqui. Eu não lamento, muito menos choro quando penso em tal situação.  
É difícil entender a razão de tudo isso. Da ausência, da saudade.
Mas essa falta não dói, ela apenas chama meu nome algumas vezes e me acorda de um sonho qualquer - já me perguntei tantas e tantas vezes porque não me deixa sonhar, mas ela teima em não responder... Uma pena!


Então eu acordo e fico a olhar aquela antiga fotografia que você deixou ali, talvez a única lembrança a qual fez questão de guardar - e eu, de manter.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sofá, papel e prosopopeias.

Sua felicidade era tão simples: se resumia em um sofá, um lápis velho e um bloco de papel. Ela vivia dos seus dois maiores amores: escrever e ver filmes - paixões um tanto batidas para alguns, mas ela não se importava. Seus olhos brilhavam diante das sequência de cenas tão bem planejada; ficava encantanda com tantas cores e (discretamente) dançava ao som das tão sutis trilhas sonoras.

Em uma noite o rapaz de cabelos curtos do outro lado disse a ela, algo que nunca esqueceu - inspiração é para os amadores. E desde então essa frase nunca saiu de si, ficava em sua mente, pensava horas e horas sobre mas nunca saia do lugar.
Não entendeu tamanho incomodo que aquele homem lhe causara. E tentou esquecer.

Escrevia como sempre fazia, usando as mesmas palavras, colocando os mesmo sentimentos - estava mergulhada numa monotonia, estagnada naquele mesmo mundinho a qual fez questão de se prender. E lá ficou, deixou de lado aqueles surtos onde novas frases lhe sussurravam nos ouvidos ou novas palavras vinham lhe fazer companhia.

Mas naquela manhã, certa de que a Rotina lhe acordaria para o café, quem bateu-lhe a porta foi outra - sempre tão imprevisível, recebeu um bom dia da tão amada Inspiração.
Com ela passou o dia inteiro e em outro pequeno mundo visitou. Foi se deitar e a viu sair no meio da noite fria.
Ao fim de tudo, com seu Travesseiro, sempre tão quieto, admitiu - não havia sensação melhor do que ser assim, uma completa amadora.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Do ouro à dor

Todos diziam que ela escrevia de uma maneira diferente. Bobagem de quem tentasse definir em uma única palavra todo aquele dom - até mesmo em muitas outras.
E eu admito, sentia certa inveja.
Talvez ela tivesse consciência do tamanho poder que ela tinha com as palavras, talvez não. Eu acredito que não. Tola menina que mal sabia o que tinha dentro de si.
Suas palavras não faziam os outros chorarem, não causava riso, não trazia angústia àqueles que liam... Aquelas palavras, frases inesperadas, permaneciam, apenas. Difícil de esquecer.
Mas a menina pouco sabia da vida, muito apesar de aparentar o contrário em suas linhas. Era notável em seus olhos tamanho desejo não somente pelo viver, mas principalmente pelo sentir.
As pessoas, cegas que são, não eram capazes de enxergar o que eu lia na alma da pobre jovem. Alma triste, carente e ausente. Coração que pouco fazia.
Até que um dia, eu tive o prazer de me esbarrar nela.
Porém ela não me notou. Não quando pensou que eu não tinha o que lhe oferecer. Mas eu tinha. E logo ela percebeu.
Quase que inconscientemente ela trocou toda essência, por um amor. Jogou ao ar as palavras mais bonitas, das quais ninguém tinha e talvez nunca consiga.
Abriu mão de tudo aquilo que a compunha por um simples sentir incerto.
Mas ela ficou feliz e se foi sem dizer um adeus ou muito menos agradecer. E eu segui meus passos, carregado do mais precioso ouro.

O tempo passou e de longe eu a vi, segurando aquela incerteza pesada que lhe doía no peito. Do amor, da alegria, ela não tinha mais nada - a não ser a falta que suas palavras causavam.
Ela passou do meu lado e reparou em mim, mas eu fiz questão de continuar em frente.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Da poesia barata sem final

Naquela noite eu mal te conhecia. E acho que você mal sabia meu nome. Mas isso não foi problema algum.
O vento gelado e as músicas de letras sem sentido eram as únicas coisas que me mantinham acordada. Conversava sobre alguma bobagem, tomava alguma coisa e ficava lá, pensando no nada.
Na verdade, minha mente estava a ponto de explodir. O que eu mais queria, realmente, era o vazio. E você me deu exatamente o que eu estava precisando: um paradoxo de poesia barata, mas exatamente o que eu desejava.
Em poucas horas, eu compartilhei tudo que pairava sobre mim com alguém que mal sabia meu nome. E ao mesmo tempo, eu entendi aquele olhar, que há alguns minutos, pouco sentido tinha.
Tamanha semelhança fez a minha noite fria, com aquele céu que brilhava sem nenhuma estrela, o qual ninguém olhava – exceto por mim. Porque você me trouxe um paradoxo bobo, mas que fez todo o sentido.

domingo, 22 de maio de 2011

Eu só vim aqui para lhe contar a falta que você faz dentro de mim.
Ah, felicidade...
Por que corres toda manhã?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Somente

Em seus dedos já se formavam pequenos calos de tanto escrever, passara tanto tempo esperando por alguns minutos de inspiração como aqueles que mal ousava a olhar para o lado. E ele mal sabia o que estava perdendo.
Ela olhava atentamente às palavras escritas, às folhas amassadas e o caderno velho que ele sempre levava consigo. No fundo, um ciúmes perturbava seu peito - quantas vezes não desejou ser aquelas páginas as quais eram encaradas por ele durante horas e horas seguidas? Talvez ele mal a notasse, ou mal sabia dizer como era o seu olhar. 
Se deitou cansada de esperar e fechou seus olhos a imaginar, somente a pensar e nada mais. Pobre menina.

Ele fechou as janelas e ficou a encarar a madeira antiga que ainda mantinha o cheiro da última chuva. Só olhou e nada mais. Acendeu o abajur e voltou ao seu trabalho - sua paixão, na verdade. Mas aquele tempo precioso já se passara, as frases haviam sumido e o vazio o tomou mais uma vez. 
Tentou. Pensou. Rabiscou.

E escutou.
No quarto soava levemente uma respiração tranquila que mal podia se notar. 
Ficou encantado com tamanha paz que a cercava.
Dessa vez não precisou mais de palavras, muito menos expressões. Só precisou estar ali e a olhar por toda noite. E ela mal sabia o que estava perdendo.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Um bilhete qualquer

Eu nunca fui daqueles de escrever palavras difíceis, metáforas que fossem realmente poéticas, muito menos cartas verdadeiras.
Para ser sincero, não é fácil ter bem diante de minhas mãos um sentimento concretizado, eu diria. O amor, a saudade, o carinho tão próximos que eu mal ouso a tocá-los por tamanha delicadeza - e a última coisa a qual eu quero que aconteça é que esses se quebrem, ou sejam esquecidos algum dia.
Ah, lembranças!, agradeço tanto a elas por estarem sempre me preenchendo - somente de você.
E eu aproveito esses poucos minutos de palavras que me invadem não para dizer que te amo, que sinto falta do seu abraço. Eu escrevo somente para te lembrar e me transformar em tua simples memória, da qual um dia você viverá, mais uma vez.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Olhos verdes

E no meio da minha tão indesejada insônia, você me vem a mente. Eu lembro e relembro cada momento, por mais curto que esses duraram. Tempo rápido de uma felicidade tão duradora.
Eu sei. Já se foram tantos dias desde a última vez que pude parar e fitar seus olhos verdes, os quais, para mim, diziam tanto. E eu sinto uma falta, admito.
Mas essa saudade não me dói mais. É a saudade que eu tanto desejei. Guardada como num porta retrato, pronta para ser encarada mais uma vez, por um coração sem nada a desejar, por uma alma tranquila. Para ser tocada por alguém que, em seu mais íntimo, não quer esquecer.

Lembrança viva, que alimenta meu sorriso.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tolices e um vento gelado

Que tolice a dela ficar ali sentada vendo o tempo passar.
Assistindo como se fosse um espetáculo, somente um show a ser visto.
Que tola!
Mal ela sabe o quanto esse anseia a ser gasto da melhor forma possível.

Que besteira a dela de ficar nesse velho banco de madeira, sem nada fazer.
Sem pensar, sem cantar, sem viver.
Quanto desperdício!
E eu não entendo. Não consigo entender.

Mas o vento logo me cala sussurrando:
"Que burrice a sua de julgar o viver.
As vezes é tão belo ver o tempo passar.
Sentir o mundo, lentamente, girar."

sábado, 2 de abril de 2011

Sobre palavras, sentidos e alguma coisa a mais

Isso não é, e nem vai ser, um texto, seja lá o seu gênero, sobre amor. Não.
Vai ser um texto com um péssimo começo, como esse. Afinal, me esqueci sobre como se escrever. Como combinar as palavras, como transformá-las numa parte de mim. Isso eu me esqueci, completamente.
Desaprendi a amar, isso eu fiz questão.
Mas a escrever, ah! por que isso foi acontecer? Como eu sinto falta.
Saudades de ter minha alma preenchida por linhas vazias a serem completadas por palavras simples, frases transparentes, dando sentido, ao menos, a mim mesma.
Sentido. Isso é o que eu não tenho mais.
Não me entendo, é difícil compreender. O que escrevo, não forma imagem nenhuma, muito menos consegue pintar alguma esquina cinza por aí. 
Só falo bobagens, penso em coisas que não existem e nunca escrevo. Escrevo o branco. Escrevo o preto. Escrevo o vazio. 
Mas a minha alma, isso eu não escrevo mais.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Felicidade Reinará

Minhas palavras andavam tão carregadas que, sem notar, transformei meu refúgio num poço de angústia. Um depósito de puro e simples vazio.
Vazio cinza que levara minha alma.
E nunca mais devolveu.

Com minhas palavras eu teci, lentamente, uma rede.
Rede frágil e sem sustento. Tão fraca quanto eu.
E nela me deitei, até esperar cair.

Olhava para cima, o céu tão azul, com nuvens de algodão quase caindo.
Sentia inveja por tamanha beleza. A real paz que cobria toda aquela imensidão; eu queria para mim.

E caí.
Caí no meu mais íntimo desejo, que por tanto tempo escondi.
Felicidade.
Eu a vi passar e não a deixaria fugir. Não dessa vez.
Então, eu a segui. Eu corri.
Segurei suas mãos e ela me abraçou.

domingo, 13 de março de 2011

O Pássaro Mudo que Canta Azul

O seu tamanho e muito menos suas pernas finas, não o impediam de se sentir grande, não no topo daquela telha antiga.
O pequenino não cantava, respirava lentamente sentido o ar gelado entrando pelo seu nariz, olhava os outros pássaros voando e cantando alegremente, conversando entre si. E aos poucos, os cantos se tornaram um só, uma única melodia preenchia a rua quase deserta.
Uma singela mágica, de certa maneira, tomara sua pequena alma e assim, abriu lentamente seu bico e encheu seu peito de todo aquela ar... e não cantou.
Imaginou que desta vez seus olhos, os quais poucos notavam, já revelavam o que seu coração guardava.

E assim cantou.
O pássaro mudo cantou a tranquilidade e paz que nele estava.
Naquela manhã gelada, o pássaro mudo cantou a cor do céu, a mais belas de todas.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Abismo

Talvez fosse verdade de que, a seus olhos, essa dor se tornava a cada momento mais bela.
Uma poesia de angústia estava fixada em sua mente, fazendo com que a cada rima criasse mais sentido a realidade que estava diante de si.
Havia lhe dominado e não fazia tão pouco tempo. A tristeza se tornara sua única verdade.
A luz fraca refletia em seus olhos uma verdade dolorida. No seu mais profundo estava um fraco brilho denunciando sua tola esperança - seu maior anseio de se libertar.
Devagar, respirava o ar denso que lhe cobria melancolicamente e da mesma maneira o eliminava de seu corpo, mesmo sabendo que este voltaria - um simples ciclo que parecia nunca ter fim.

E assim continuava ao admirar o tão sedutor abismo, um quase antigo companheiro, pelo qual sua alma já não era mais tão intenso desejo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O tempo e umas linhas confusas

Dentro de mim tenho apenas o que o tempo deixou.
Um pouco de saudades.
E até mesmo um pouco de amor.
Mas este amor é tão pequeno que mal consigo enxergá-lo.
E ainda me pergunto se este ainda me pertence.
Mas isso eu sei que o tempo me responderá.
O tempo. Sempre o tempo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - yay!

Estava tão ansiosa para a o Oscar deste ano que seria uma injustiça (comigo mesma) não comentar nada por aqui.
Mas Thaís, qual é o motivo de você ficar esperando tanto uma premiaçãozinha que nada vai mudar na sua vida e – Caham. Ok, eu explicarei.

Motivo número um – Os filmes indicados eram realmente muito bons.
Motivo número dois – Com o passar do tempo minha paixão por cinema vai crescendo cada vez mais
Motivo número três – É OSCAR POXA VIDA.

E agora vamos ao que realmente é importante – tudo rs

A começar pelos apresentadores, James Franco e Anne Hathaway, apesar de algumas críticas sobre o casal, eu me encantei. Ele com seu eterno charme rere e ela que, me passou uma imagem totalmente diferente do que eu imaginava – engraçada, linda e meiga. 

Sem contar que eu morri com esse vídeo de abertura – sensacional!


Não vou comentar cada uma das premiações até porque seria algo extremamente grande (e até monótono com a minha falta de graça) e, sim, a preguiça também não me permite.

A Rede Social
a gente ganhou e ninguém liga pra você thaís.

Eu ainda não entendo o porquê de tanto amor da Academia para com este filme. É um filme interessante sim, os atores são bastante cativantes até, mas poxa vida, Melhor Roteiro Adaptado? Danny Boyle conseguiu prender, pelo menos a minha, atenção de uma maneira não só como natural, mas incrível também com um cara que ficou preso dentro de um Canyon por CINCO DIAS. Duvido que se este roteiro caísse nas mãos de outro diretor o filme não teria sido tão interessante como foi.
Em relação a Melhor Trilha Sonora, para ser sincera, não lembro muito bem rere, mas pelo o que lembro não só deste filme, como de todos os outros concorrentes estavam praticamente no mesmo nível – todas muito boas (Apesar da minha favorita ser 127 Horas hihi)

A Origem

foto sem graça, bleh.

O filme mais injustiçado de todos os tempos. É. Não só o filme em si como o também para com o seu criador – Christofer Nolan, a começar pela sua não-indicação de melhor diretor, né.
Mas mesmo com os prêmios que recebeu, mesmo sendo aspectos técnicos (e fotografia – que a uma coisa super importante!), fiquei bem chateada quando vi que tinha perdido como Melhor Roteiro Original. Poxa vida, Nolan traz em seu filme um conceito (como este) extremamente rico e original (há!), sem contar que demorou 10 anos para concluí-lo e fazem isso com ele, todos chora.


O Discurso do Rei

Eu ainda não assisti este filme e estou louca para vê-lo, de verdade! Ainda mais com todas essas premiações que recebeu. Então, como eu não o vi, não posso nem criticá-lo e nem elogiá-lo. Mas uma coisa eu me permito fazer: dar os parabéns a Colin Firth, pois com todos os filmes em que vi e ele atuava, nunca deixou a desejar.

Toy Story 3 

E é claro, mais uma vez, a Pixar leva o Oscar! Aliás não só um, como dois. E nada mais justo.

Woody, Buzz, Cabeça de Batata e todos aqueles brinquedos lindos wee! Me emocionaram muito, de verdade – um ótimo final para todas as histórias em que eles passaram.

Cisne Negro

linda, yay - arraza q

Um dos meus filmes favoritos, também, não se deu muito bem. Achei a montagem espetacular, uma pena não ter ganhado. Mas é claro, que nossa querida, Natalie Portman ganhou! E já era de se esperar – sua atuação é realmente inexplicável, não tem o que dizer sobre. 

127 Horas

Apesar de eu já ter imaginado que seria difícil este filme ganhar alguma premiação, eu realmente estava torcendo. Gostei demais do filme, como já tinha dito antes, e acho que foi um trabalho espetacular não só do diretor, como também de James Franco, que atuou muito bem. Mas, infelizmente, não foi dessa vez ):


Esta é minha opinião sobre essa noite de domingo, yay. Comentei sobre os filmes principais, como pôde ver, e agora sim estou feliz – erm.
E agora fica só o meu (único e humilde) desejo para que no Oscar de 2012, quem apresente seja o maravilhoso Robert Downey Jr. <3

Yeah. rs

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Proximidade

Tudo está tão próximo de mim que é difícil imaginar tal realidade a alguém imaginário. Depositar sobre uma personagem, infeliz, todas minhas decepções e angústias. Fazer delas o que pertence só a mim e talvez a mais ninguém.

Tudo está tão próximo de mim que não é fácil lidar com isso. Sentir as lágrimas doces que só por alguns instantes são minhas, e ao mesmo tempo tão amargas, machucam cada vez minha alma já ferida. Fecho os olhos a fim de fugir de tudo, mas ao invés da tão desejada escuridão, não o vejo, muito menos consigo tocá-lo. Eu posso, claramente, sentir sua essência tão delicada, consigo ter diante de mim o que, intimamente, desejei por tanto tempo.

Mas, neste momento, as coisas se tornam distantes, fogem de mim, me deixando desamparada e sem palavras. Justamente o que mais anseio agora – palavras, simples palavras. 
O que quero longe de meu coração, na verdade, não são as lágrimas e nem a dor passageira – quero fechar meus olhos e não sentir mais nada, quero essa falsa essência o mais distante de meu peito.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Presente ausência

É este vazio que vem me preenchendo durante todo esse tempo, andando ao meu lado com passos lentos e cada vez mais sufocantes. Seguro sua mão, sentindo aquela textura que em tempo algum poderá ser explicada - uma falsa suavidade lhe cobre, passando uma impressão tão sedutora.

Mas a presença de um ao outro, nos conforta, de certa maneira. E desta forma, eu posso provar, finalmente, o tão belo paradoxo da ausência.

Ambos temos a consciência do que pode ser feito. Posso arrancar do meu peito e, talvez, não nos veremos mais. Soltar suas mãos que me machucam e nunca mais nos tocarmos. Fechar os olhos e esquecer sua forma que um dia nunca existiu. Mas talvez, não seja isso que minha alma realmente anseia. Então, me envolvo num abraço frio e que, algum dia, possa fazer o sentido que tanto procuro.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

CD do Mês - Continuum

Para quem é fã do (ex da Jeniffer Aniston) lindo, talentoso e sensível John Mayer, esta indicação pode ser um tanto que antiga. Mas aqui vai meu contraponto: tudo que é bom deve ser sempre lembrado, não?

Em seu terceiro albúm, lançado em 2006, John consegue equilibrar perfeitamente o ritmo e a energia em suas músicas que vão desde as mais animadas, como Waiting on the World to Change, para as mais tranquilas e calminhas, no estilo de Dreaming with a Broken Heart. É exatamente assim que eu não me canso de ficar horas escutando Continuum - sem exagero! (Afinal, um pouco de blues é sempre muito bom).

Mas o que, realmente, me impressiona em suas músicas não é só o ritmo em si, e sim as letras. Várias vezes eu parava e ficava escutando (e lendo porque não sou nenhuma fluente em inglês rs) e notava o quanto de valores aquelas músicas levavam consigo, como em Vultures, onde há um verso em que ele diz "How do I stop myself from being just a number?" e isso ficou em mim, de alguma forma e pensei bastante sobre. E assim vai em várias outras faixas!


1. Waiting on the World to Change
2. I Don't Trust Myself (With Loving You)
3. Belief 
4. Gravity
5. The Heart of Life
6. Vultures
7. Stop This Train
8. Slow Dancing in a Burning Room
9. Bold as Love
10. Dreaming with a Broken Heart
11. In Repair
12. I'm Gonna Find Another You

E este foi a minha indicação, o CD que eu acho que realmente vale a pena ter. 
Para aqueles que fazem questão de ter em suas mãos, segurar a caixa, folhear o livrinho (?), assim como eu, encontrei na Livraria Cultura por R$15,00! (No site está mais barato rs). Já para aqueles que não fazem questão e já se contentam em baixar... Bom, eu não tenho nenhum site ou link que eu tenho certeza de que seja confiável e tudo mais. D:

Espero que tenham gostado e é isso aí. (E hoje tem Grammy! yay)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Palavras Cruzadas

O calor que entrava em seu corpo já estava tão insuportável quanto o barulho que o ventilador insistia em fazer a noite inteira.
Pensar no vazio, tentar resolver algumas questões de álgebra mentalmente, contar aqueles malditos carneirinhos – só estava a deixando mais acordada ainda.
E mais rápido do que pensou, sentou-se e ficou a encarar a escuridão que a cercava. A cada minuto que passava o quarto parecia clarear-se pelas luzes de fora, mas não se iluminou por inteiro – um fato totalmente previsível. Diante desta pequena frustração decidiu sair no meio da noite, afinal, nada de surpreendente poderia acontecer as 2h58 numa cidade daquele tamanho. Cidade?
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Saiu sem trocar o seu pijama cinza de bolsos verdes (!) totalmente inúteis e com seu tão confortável par de chinelos. Andou, não muito, diga-se de passagem, até encontrar uma padaria/boteco com seu letreiro neon pisando freneticamente.
O lugar estava vazio, a não ser pelo senhor de cabelos falsamente castanhos, barba a fazer e uma caneta atrás da orelha.
- Bom, nada muito ameaçador, eu diria – Ela sussurrou para si mesma.
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Sentou-se diante do balcão, onde aquele homem se dedicava em fazer as palavras cruzadas em um jornal deixado por um cliente. Ela o observava, mas não como algum objetivo, somente por olhar e nada entender, até que notou que usava outra caneta em sua mão, mas esta parecia ser diferente, ele a manuseava com cuidado como se fosse uma raridade. Achou engraçado o senhor que, sem querer, anulava toda a função de sua orelha esquerda e disse, esticando o pescoço.
- E-G-O. “O ‘eu’ de cada um”
Ele levantou os olhos tentando disfarçar a surpresa de ver alguém àquela hora da madrugada.
- Tem certeza? Isso me parece “Meu”.
- Mas não faz tanto sentido assim quanto ego! – Disse com uma risada escondida em seus lábios.
- E desde quando as coisas nesta vida fazem sentido, minha filha? – Respondeu o velho com uma cara um tanto ranzinza
- Ah... É... Tem razão, mas... – Ela bem que chegou a pensar em explicar a ele que em cruzadas, as palavras deveriam ser corretas, caso contrário...
- É, mas eu sei que palavras cruzadas são a exceção, não? – Disse o senhor como se estivesse lendo sua mente – Vai um pingado?
- A essa hora?
E o velho soltou uma gargalhada desleixada, mas mesmo sem entender o seu por que a menina riu – mas não pelo o que tinha dito, mas pela engraçada risada em que ouvira.
- Não é pinga não menina! Café com leite – disse bem pausadamente, com medo dela não entender.
- Oxe. Mas quem é que fala uma coisa dessas hoje em dia?
- E me diga quem, de uma cidade grande, se expressa com oxe?
Ela corou nostalgicamente, lembrando em frações de segundos todas as pessoas que diziam isso dela e depois de uma risada respondeu:
- É, verdade. Você venceu. Pode me dar esse tal de pingado aí.
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E durante a noite, conversaram sem muito se importar com a estranheza dos assuntos. Dividiam experiências que, de alguma maneira, ambos pareciam já ter vivido. Se tornaram amigos de tanto tempo, sem nem ao menos saber o nome um do outro.
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- Mas me diga moça - introduziu o velho passando pela quinta vez um pano úmido no balcão – o que faz aqui nesta...
- Cidade?
E os dois riram pelo mesmo motivo que nenhum morador fiel ousaria rir.
- Exatamente! Hunf... Cidade! Vê se pode.
-Descansar, sabe? Pôr as idéias no lugar e tudo mais.
- Ih, já vi tudo. Foi o namorado, né? Não? Brigou com a mãe? Pai? Amiga? Hm... Primo? Com quem minha filha? Diga...
Ela não respondeu de imediato. Não que a resposta exigisse um tempo de raciocínio, mas ela pensou por alguns instantes que sentia certo afeto quanto o velho, instintivamente, a chamava de minha filha. Então tornou a olhar seu rosto, suas expressões, os óculos redondos anos 60 não o deixava com um ar de mais velho, pelo contrário; mesmo com aqueles fios brancos que, teimosamente, sempre apareciam nos lados e algumas (várias) “marcas de expressão”, ele passava a ela uma impressão de jovem. Gente pronta para viver.
- Hein minha filha? Se não quiser desabafar não precisa não.
- Que isso! Não aconteceu nada demais, decidi, apenas, tomar um tempo pra mim, apesar do tamanho, é bom estar aqui.
- Ô se não é.
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E finalmente o silêncio entrou no lugar, acompanhado de fracos raios do Sol nascente. Ela olhou para traz e viu como o céu estava bonito, tão singelo.
- Tão acolhedora essa imensidão azul, não? – Pensou alto o velho.
Mas desta vez ela não se assustou por, mais uma vez, ele ter completado seus pensamentos e apenas sorriu, concordando. O relógio tocou marcando seis horas.
- Minha filha! Você nem pra dormir! E agora?
- Ih, já até me acostumei. Mas é verdade, preciso ir.
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Levantou-se devagar pensando na hipótese de um abraço forte entre amigos ou somente um aperto de mão. Ao se virar desistindo de qualquer demonstração de carinho, ele a chamou:
- Ei moça! Toma aqui essa cruzada, presente meu, termine por sei que você faz rapidinho, né minha filha?
Ela sorriu, pegou o pedaço de jornal e dobrou. Olhou mais uma vez ao seu tão novo querido amigo.
Ambos queriam agradecer e concretizar tudo o que sentiam em ter tido uma companhia tão agradável naquela noite típica de verão – simplesmente não conseguiram. Ele levantou a mão se despedindo de forma amigável e ela, novamente, sorriu, sem trocar uma palavra desta vez.
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Pegou o caminho de volta e olhando para o papel em suas mãos o abriu na esperança de encontrar algumas palavras escritas – mas não; da mesma forma continuou alegre pelo que passou; dobrou o jornal pela última vez e o guardou em seus bolsos verdes – e até que eles não eram tão inúteis assim.

Você acabou de ler - se leu tudo mesmo - 977 palavras rs

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

In the jingle jungle morning

O lugar era a casa mais aconchegante pelo qual passara em sua vida – mesmo estando vazio, com poucos feixes de luz iluminando alguns cantos sem tanta importância - passava a mão sobre os móveis antigos e uma nuvem de poeira dançava pelo ar e lá permanecia. 
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Parou em frente a uma janela simples, sem cortina alguma e a encarou como se dentro dela – ou do outro lado, seja lá qual era o certo se pensar - houvesse algum segredo no qual aquela casa insistia em esconder. Então, devagar, a abriu – e parecia gritar de dor, mas preferiu parar antes que completasse toda aquela ação um tanto inútil e deixou mais um feixe quente e brilhante se espalhar pelo antigo cômodo.
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Andou mais um pouco e viu a tão amada vitrola que nunca ousara mudar de lugar e sem saber qual era aquele disco, também, empoeirado, a ligou e escutou como se vivesse a música. Mr. Tamborine Man cantava em seus ouvidos e junto com ele, sussurrava as notas. Estava sem sono e preferiu ficar lá sozinha, dividindo as remotas lembranças, em sua tão adorável companhia.
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Mas o dono de toda aquela antiguidade empoeirada estivera sempre lá, debaixo de uma fresca sombra, sentado numa cadeira velha que por tanto tempo o carregou. E de olhos fechados, ao mesmo tempo, cantava com sua voz rouca os tão verdadeiros versos daquela canção.
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E a melodia os levava para uma viagem quase sem volta. Era como se estivessem um ao lado do outro, segurando suas mãos, revivendo as mais antigas histórias que viveram naquela casa, sentindo a presença um do outro pela última vez. Não sabiam quando seria, realmente, a última vista, mas cantavam e, de alguma forma, dançavam a cada palavra naquela manhã desafinada – que de alguma maneira compartilhavam através da melodia.

I'll come followin' you.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Completa-me

Parecia que o lugar estava vazio, mas mesmo que tivesse algumas pessoas por lá, não faria tanta diferença. Estavam  no mesmo lugar, deitados sob a mesma árvore, então se perderam no tempo. Não trocavam uma palavra até que depois de muito pensar minuciosamente sobre, ela decidiu quebrar todo aquele silêncio.
"Sabe, fiquei com vontade de te falar uma coisa."
E antes mesmo que ele a olhasse ou dissesse algo, ela continuou.
"Eu adoro quando nós saímos e ficamos assim - não importa quanto tempo dura, se for uma hora ou somente alguns poucos minutos, esse silêncio entre nós. Me sinto tranquila e até mesmo confortável em saber que a qualquer momento eu posso te tocar e o melhor de tudo: olhar dentro de seus olhos sentindo, realmente, a tua presença."
Ela parou por alguns instantes, olhou a copa da grande árvore que os protegia carinhosamente e continuou.
"Não sei como tudo isso soa para você, mas eu, sinceramente, me sinto plena. Saber que o silêncio entre nós traz essa certeza de que você está ao meu lado, bem diante de mim".

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Três

As vezes me pego olhando textos que eu escrevi alguns poucos anos atrás e vou lendo 2008, 2009, 2010 ... anos em que aos poucos eu fui crescendo e descobrindo como o caminho da vida vai se tornando e isso eu podia notar em cada palavra ali escrita. Palavras que me ajudaram, que de certa maneira me escutaram, palavras que muitas vezes, também fugiram, mas todas ficaram eternamente guardadas em algum lugar por onde andei - e devo admitir que até mesmo dentro de mim.

Hoje esse ciclo se repete mais uma vez, como o que há três anos iniciei. E me sinto feliz por isso - encontrar palavras, aparentemente, simples e fazer delas minha.
Mas uma das melhores experiências nisso tudo foi não privá-las de ninguém. Ao saber que tudo aquilo que escrevi, um dia foi lido por alguém e acima de tudo, a mudou, de certa forma, me deixa mais que encantada.

E é isso que eu agradeço nesses três anos. Por eu nunca ter deixado a falta de inspiração - ou até mesmo o cansaço - me derrubar e acima de tudo, por ter sempre alguém lendo minhas singelas palavras.

Obrigada à você de todo o meu coração.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sem Mais

Eu tentei. Juro que tentei transformar tudo em palavras que conseguissem te deixar plenamente grata. Mas eu falhei. O medo de decepcionar e até mesmo quebras de certas expectativas me dominou, afinal você sempre fora, pelo menos desde as primeiras palavras que trocamos, uma amiga completamente fora de qualquer padrão ou estereótipos há tanto tempo existentes.
Fui tola - e garanto que muitos também - de tentar descobrir o que tinha por trás daqueles óculos; fui boba só por questionar o que trazia naquele sorriso envergonhado: nada consegui a não ser por palpites chulos e errados. Mas, depois de uma singela convivência, finalmente, ao compreender o seu (complexo) coração, me senti... satisfeita.
Estava diante de uma amizade inesperada a todo esse tempo e imagino que estamos no tempo certo. Afinal, me surpreendo - e me alegro - a cada momento, por mais singelo, ao seu lado.
Pensando nisso tudo, percebi que precisava admitir. Admitir e confessar que desejei (e ainda continuo) que fosse eterno. Desejo ingênuo, já que todos sabem que nada é assim; mas mesmo tendo essa certeza eu não descarto em momento algum essa vontade, porque, independente, do que nos espera, eu sei que todas essas lembranças estarão sempre dentro de mim.

Para Julia Odri.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Finalmente indicações decentes rs

Minhas tentativas de indicações neste blog sempre foram falhas. Qualquer “quadro” (ou seja lá o nome mais adequado) que eu tentava fazer, nunca passava de dois posts. Mas dessa vez, eu juro, que vai além. Até porque não vai ter um nome super criativo e especial (não que antes fosse desta forma, mas). 
Serão algumas indicações mensais, digamos assim. Em um mesmo mês pode ter mais de uma indicação, claro, mas não sobre o mesmo assunto.
Afinal, eu que adoro de verdade, música, cinema, livros (e até um pouquinho de séries) e também não perco uma conversa sobre isso, por que não dividir aqui o que eu mais gosto?
(E também os assuntos aqui do blog variam um pouco hihi)

A primeira indicação será sobre uma banda brasileira que conheci no ano passado. Admito que não esperava muito ao ler o seu nome de ínicio, mas depois vi o quão eu estava enganada!
Móveis Coloniais de Acaju é uma banda de Brasília composta por nove integrantes.
Eles são totalmente autênticos, não só nas melodias, como nas letras também. Um dia eu parei e fiquei olhando quase todas elas e vi o quaõ lindas elas eram!
Fugindo do esperado - guitarra, bateria, baixo, vocal - você passa horas escutando as músicas que têm um astral ótimo hihi.
Há algumas semana atrás fui num show deles, no Auditório Ibirapuera (que aliás foi o meu primeiro show) e me surpreendi, a presença de palco deles é indescritível, mesmo.
Chega de falar e vamos escutar um pouco de Móveis! No site deles, eles disponibilizam vários downloads gratuitos, yuhul!

Espero que tenham gostado e logo mais venho com outras indicações! :)

Doce confusão

De alguma forma aquele breu deveria assustá-la ou no mínimo deixá-la inquieta, mas ela não se permitiu uma coisa dessas. Estava confortável naquele quarto onde era somente com ele em que compartilhava seus pensamentos que poucos entendiam, dividia seus desejos e confessava seus maiores medos - que para aos ouvidos alheios eram tão tolos!, mas não para aquela escuridão que, confortavelmente, lhe envolvia nos seus braços.

Na maioria das vezes, não entendia o que acontecia dentro de sua cabeça. Ideias confusas, argumentos um tanto chulos, contrariedades em cada esquina de sua mente. Se perguntava quase a todo momento o por quê de toda aquela confusão (que dentro de si, amava!), o desejo de compreender pelo menos um terço de tudo aquilo era imenso! Ansiedade correndo em suas veias já era algo tão comum.
Mas naquele quarto, no auge da noite, aquilo não acontecia. Uma paz soprou em seus ouvidos, sentiu seu coração sendo tocado por algo que jamais havia experimentado antes.
E nunca encontrara uma resposta ou até mesmo uma simples razão pelo o que acontecera, mas pouco se importava. Preferiu guardar este segredo no seu mais íntimo eu e fechou os olhos, tranquila por estar envolvida naquela escuridão tão prazerosa.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Desarmar-se

Dessa vez preferiu ficar em silêncio. Passara tanto tempo procurando bons argumentos e até mesmo frases prontas, nas quais muitas vezes nem sentido faziam dentro de todo aquele contexto confuso que sem perceber, estava exausta. Tentou pensar o menos possível, decidiu entrar em um acordo consigo mesma, se não resolvesse isso, jamais encontraria uma maneira de organizar toda a bagunça.
Se desarmou. Completamente. A murulha que a protegia - de coisas totalmente imaginárias - foi lentamente destruída enquanto escutava atentamente aquela voz.
Se rendeu sem pensar no que poderia acontecer, afinal, poderiam desastres acontecer só por estar concordando com tudo aquilo sobre si mesma? Além do mais, ninguém, de fato, precisaria saber, o que estava acontecendo. A não ser ela mesma.

Todo seu orgulho, sua desconfiança e - secretamente - sua insegurança foram jogadas de uma só vez por uma simples e tão pequena lágrima, quem diria que se renderia tão fácil? Mas estava disposta.
Disposta a encarar como tudo aquilo era realmente e se entregar. E dessa vez não se importaria caso uma, duas ou até mais lágrimas caíssem, se fosse preciso.