segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

In the jingle jungle morning

O lugar era a casa mais aconchegante pelo qual passara em sua vida – mesmo estando vazio, com poucos feixes de luz iluminando alguns cantos sem tanta importância - passava a mão sobre os móveis antigos e uma nuvem de poeira dançava pelo ar e lá permanecia. 
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Parou em frente a uma janela simples, sem cortina alguma e a encarou como se dentro dela – ou do outro lado, seja lá qual era o certo se pensar - houvesse algum segredo no qual aquela casa insistia em esconder. Então, devagar, a abriu – e parecia gritar de dor, mas preferiu parar antes que completasse toda aquela ação um tanto inútil e deixou mais um feixe quente e brilhante se espalhar pelo antigo cômodo.
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Andou mais um pouco e viu a tão amada vitrola que nunca ousara mudar de lugar e sem saber qual era aquele disco, também, empoeirado, a ligou e escutou como se vivesse a música. Mr. Tamborine Man cantava em seus ouvidos e junto com ele, sussurrava as notas. Estava sem sono e preferiu ficar lá sozinha, dividindo as remotas lembranças, em sua tão adorável companhia.
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Mas o dono de toda aquela antiguidade empoeirada estivera sempre lá, debaixo de uma fresca sombra, sentado numa cadeira velha que por tanto tempo o carregou. E de olhos fechados, ao mesmo tempo, cantava com sua voz rouca os tão verdadeiros versos daquela canção.
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E a melodia os levava para uma viagem quase sem volta. Era como se estivessem um ao lado do outro, segurando suas mãos, revivendo as mais antigas histórias que viveram naquela casa, sentindo a presença um do outro pela última vez. Não sabiam quando seria, realmente, a última vista, mas cantavam e, de alguma forma, dançavam a cada palavra naquela manhã desafinada – que de alguma maneira compartilhavam através da melodia.

I'll come followin' you.

12 comentários:

Marcelo Mayer disse...

seu blog me foi um belo achado

Anônimo disse...

Ah Thaís, amei o texto! É tão legal o jeito que você escreve, é meio abstrato e oculto, mas mesmo assim faz sentido. É como se você usasse palavras para representar outras, sabe? Você não descreve a cena completamente, deixa um ar de mistério, mas mesmo assim conta a história perfeitamente! Sem falar que os seus textos sempre tem sentimentos escondidos nas palavras :) nunca deixa de escrever, ok? rs

Yasmin Kuhnert disse...

Lindo texto. Lembrar pode ser o remédio ou a doença de uma pessoa. Boas lembranças, lugares empoeirados e a mesma companhia de anos. Imagino um dia no futuro, bem no futuro ter eu uma casa empoeirada a qual visitar e lembrar de tudo.

Natália disse...

Tão misterioso. Beijo

Garota Ambulante disse...

menina, que lindo teus textos <3 eu adorei <3

Caio Rodrigues disse...

Que lindo o texto probleminha ^^ Adoro o jeito que você escreve. seu blog é divino, simples mas muito lindo. Parabéns por tudo.

Renan Mendes disse...

Achei lindo.
Como sempre, né?

YUHUL!

Stephanie Pereira disse...

Sabe uma coisa que gosto no teus textos: tu é realmente muito boa em descrições. COnseguimos visualizar cenarios, e personagens, mesmo que com poucas linhas. Lindo, lindo, lindo.. delicioso de ler (:

Lolly disse...

Nossa, adorei. E confesso que no trecho "[...]Então, devagar, a abriu – e parecia gritar de dor, mas preferiu parar antes que completasse toda aquela ação um tanto inútil e deixou mais um feixe quente e brilhante se espalhar pelo antigo cômodo." me arrepiei. Você escreve muito bem e tem todo um ar misterioso, e isso prende muito a nossa atenção! Vou continuar passando por aqui sempre que quiser ler alguns bons textos! hihi. Beijão!

@philipsouza disse...

Isso daria um bom livro, já parou para pensar???

Bjao Tata

Rafael Cotrim disse...

Que intenso. Gostei bastante do texto. Descrição precisa e os sentimentos distribuidos na medida certa ao longo da narrativa.
;)

Beijos querida,

Continue assim.

Gabriela Freitas disse...

Escreves bem demais, obvio que já estou lhe seguindo.