quarta-feira, 23 de março de 2011

Felicidade Reinará

Minhas palavras andavam tão carregadas que, sem notar, transformei meu refúgio num poço de angústia. Um depósito de puro e simples vazio.
Vazio cinza que levara minha alma.
E nunca mais devolveu.

Com minhas palavras eu teci, lentamente, uma rede.
Rede frágil e sem sustento. Tão fraca quanto eu.
E nela me deitei, até esperar cair.

Olhava para cima, o céu tão azul, com nuvens de algodão quase caindo.
Sentia inveja por tamanha beleza. A real paz que cobria toda aquela imensidão; eu queria para mim.

E caí.
Caí no meu mais íntimo desejo, que por tanto tempo escondi.
Felicidade.
Eu a vi passar e não a deixaria fugir. Não dessa vez.
Então, eu a segui. Eu corri.
Segurei suas mãos e ela me abraçou.

domingo, 13 de março de 2011

O Pássaro Mudo que Canta Azul

O seu tamanho e muito menos suas pernas finas, não o impediam de se sentir grande, não no topo daquela telha antiga.
O pequenino não cantava, respirava lentamente sentido o ar gelado entrando pelo seu nariz, olhava os outros pássaros voando e cantando alegremente, conversando entre si. E aos poucos, os cantos se tornaram um só, uma única melodia preenchia a rua quase deserta.
Uma singela mágica, de certa maneira, tomara sua pequena alma e assim, abriu lentamente seu bico e encheu seu peito de todo aquela ar... e não cantou.
Imaginou que desta vez seus olhos, os quais poucos notavam, já revelavam o que seu coração guardava.

E assim cantou.
O pássaro mudo cantou a tranquilidade e paz que nele estava.
Naquela manhã gelada, o pássaro mudo cantou a cor do céu, a mais belas de todas.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Abismo

Talvez fosse verdade de que, a seus olhos, essa dor se tornava a cada momento mais bela.
Uma poesia de angústia estava fixada em sua mente, fazendo com que a cada rima criasse mais sentido a realidade que estava diante de si.
Havia lhe dominado e não fazia tão pouco tempo. A tristeza se tornara sua única verdade.
A luz fraca refletia em seus olhos uma verdade dolorida. No seu mais profundo estava um fraco brilho denunciando sua tola esperança - seu maior anseio de se libertar.
Devagar, respirava o ar denso que lhe cobria melancolicamente e da mesma maneira o eliminava de seu corpo, mesmo sabendo que este voltaria - um simples ciclo que parecia nunca ter fim.

E assim continuava ao admirar o tão sedutor abismo, um quase antigo companheiro, pelo qual sua alma já não era mais tão intenso desejo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O tempo e umas linhas confusas

Dentro de mim tenho apenas o que o tempo deixou.
Um pouco de saudades.
E até mesmo um pouco de amor.
Mas este amor é tão pequeno que mal consigo enxergá-lo.
E ainda me pergunto se este ainda me pertence.
Mas isso eu sei que o tempo me responderá.
O tempo. Sempre o tempo.