terça-feira, 26 de abril de 2011

Um bilhete qualquer

Eu nunca fui daqueles de escrever palavras difíceis, metáforas que fossem realmente poéticas, muito menos cartas verdadeiras.
Para ser sincero, não é fácil ter bem diante de minhas mãos um sentimento concretizado, eu diria. O amor, a saudade, o carinho tão próximos que eu mal ouso a tocá-los por tamanha delicadeza - e a última coisa a qual eu quero que aconteça é que esses se quebrem, ou sejam esquecidos algum dia.
Ah, lembranças!, agradeço tanto a elas por estarem sempre me preenchendo - somente de você.
E eu aproveito esses poucos minutos de palavras que me invadem não para dizer que te amo, que sinto falta do seu abraço. Eu escrevo somente para te lembrar e me transformar em tua simples memória, da qual um dia você viverá, mais uma vez.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Olhos verdes

E no meio da minha tão indesejada insônia, você me vem a mente. Eu lembro e relembro cada momento, por mais curto que esses duraram. Tempo rápido de uma felicidade tão duradora.
Eu sei. Já se foram tantos dias desde a última vez que pude parar e fitar seus olhos verdes, os quais, para mim, diziam tanto. E eu sinto uma falta, admito.
Mas essa saudade não me dói mais. É a saudade que eu tanto desejei. Guardada como num porta retrato, pronta para ser encarada mais uma vez, por um coração sem nada a desejar, por uma alma tranquila. Para ser tocada por alguém que, em seu mais íntimo, não quer esquecer.

Lembrança viva, que alimenta meu sorriso.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tolices e um vento gelado

Que tolice a dela ficar ali sentada vendo o tempo passar.
Assistindo como se fosse um espetáculo, somente um show a ser visto.
Que tola!
Mal ela sabe o quanto esse anseia a ser gasto da melhor forma possível.

Que besteira a dela de ficar nesse velho banco de madeira, sem nada fazer.
Sem pensar, sem cantar, sem viver.
Quanto desperdício!
E eu não entendo. Não consigo entender.

Mas o vento logo me cala sussurrando:
"Que burrice a sua de julgar o viver.
As vezes é tão belo ver o tempo passar.
Sentir o mundo, lentamente, girar."

sábado, 2 de abril de 2011

Sobre palavras, sentidos e alguma coisa a mais

Isso não é, e nem vai ser, um texto, seja lá o seu gênero, sobre amor. Não.
Vai ser um texto com um péssimo começo, como esse. Afinal, me esqueci sobre como se escrever. Como combinar as palavras, como transformá-las numa parte de mim. Isso eu me esqueci, completamente.
Desaprendi a amar, isso eu fiz questão.
Mas a escrever, ah! por que isso foi acontecer? Como eu sinto falta.
Saudades de ter minha alma preenchida por linhas vazias a serem completadas por palavras simples, frases transparentes, dando sentido, ao menos, a mim mesma.
Sentido. Isso é o que eu não tenho mais.
Não me entendo, é difícil compreender. O que escrevo, não forma imagem nenhuma, muito menos consegue pintar alguma esquina cinza por aí. 
Só falo bobagens, penso em coisas que não existem e nunca escrevo. Escrevo o branco. Escrevo o preto. Escrevo o vazio. 
Mas a minha alma, isso eu não escrevo mais.