quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ah, Marília!

Se olhava naquele espelho pequeno há tanto tempo que esquecera, por alguns instantes, o mundo que existia para fora da janela.
Recontando suas sardas, mais uma vez - mesmo não gostando de todas aquelas manchas um tanto dispensáveis, tinha uma maior sensação de poder sobre as mesmas. Bobagem!

Marília, se pudesse, mudava seu nome sem pensar muitas vezes; gostava de tantos outros, menos Marília e justo com o que ela fora... presenteada. Falta de sorte - era o que dizia seu mantra.

Mas uma coisa que nunca mudaria, eram seus olhos, aqueles responsáveis pelo tão clichê "janelas da alma". Aquele castanho brilhava, era diferente dos demais, quem os visse, raramente, voltava a dizer que somente olhos azuis eram os belos. O que ela não sabia era que seu olhar, era o que marcava; olhar sincero, tão difícil de esquecer tamanha simplicidade.

Ah, Marília. Sempre dizia que sabia; nunca esquecia de nos contar uma história se quer. Reclamando a cada manhã, se desculpando em todo o entardecer.
Ah, Marília! Tão velha alma num rosto, ainda, tão puro.

17 comentários:

Nati disse...

eu me olho nesse espelho há anos e não me lembro mais como é lá fora. Beijo

Renan Mendes disse...

Tempo demais olhando para o espelho...

Renan Mendes disse...

Tempo demais olhando para o espelho...

Debbys disse...

ahh gente, que lindo!! adorei mesmo! ^^
bjusss

Marie Raya disse...

Seus textos sempre incríveis, Thais!
Você tem uma personalidade única pra escrever! Beijão! :*

Gabriela F disse...

Que lindo Thaís.
Linda está passagem: "Aquele castanho brilhava, era diferente dos demais, quem os visse, raramente, voltava a dizer que somente olhos azuis eram os belos."
Os olhos são espelhos da alma, e há como duvidar?

Juliana Morgani disse...

Esse post pode ser comparado com textos de grandes escritores brasileiros.. Muito bom! :)
E pelo jeito Marília é uma graça. Adoro sardas! hehe

@mrpitanga disse...

Vou falar que eu não teria moral de fazer um texto desses, sabe. Sou muito de "começo, meio e fim". Tanta subjetividade assim está longe do meu currículo.
Parabéns, texto incrível e com muita personalidade ! Já seguindo (:

Jeniffer Yara disse...

Me sinto uma Marília ás vezes.

Beijos

Fernanda disse...

Todas nós temos essa Marília dentro da gente! Texto lindo! Você tem um belo dom...

Marina disse...

Sempre escrevendo bonito.
Por mais "falta de sorte" tenhamos, sepre existe algo que nos faz continuar querendo sermos nós mesmos.

Beijo.

Tha ! disse...

Por pouco achei que eu era Marilia, eu amo seus textos, eles tem uma beleza unica!
beijos

Thaís. disse...

Me sinto um tanto quanto intimidada vendo as palavras falando por mim, é como se soubessem tudo e até mais. Bobagem, frescura de Thaís. Encontrei isso ao espiar o teu "quem sou eu", ali do lado. E É FATO MESMO! AHUAHEU.

Adorei seu texto, de verdade. :*

Camila Locatelli disse...

Estava com saudade de seus textos :)
http://falandosobrealgo.blogspot.com/

Pedro Ricelly disse...

Sempre belos, os seus textos.

casquette new era dc disse...

i think it is very good post!

Laryssa disse...

Mesmo sendo clichê chamar olhos de "janelas da alma", são esses tipos de olhos que me fascinam, me encantam e, em muitas vezes, me hipnotizam. Esses são os olhos mais lindos que existem, não importa a cor que eles sejam.