sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pode ser cruel a eternidade



- "Caberá ao nosso amor o que há de vir"
- Você faz isso de propósito.
- Fazer o que? Cantar? 
- Você não está só cantando, acha que sou boba.
- Se não estou cantando, estou fazendo o que?
- Dizendo coisas das quais você queria que eu acreditasse.
- Mas você é medrosa demais para encarar tudo isso.
- Encarar tudo isso o que?
- O destino.
Com uma risada um tanto tensa, a menina de tanto temor, procurou as melhores palavras para desmentir tamanha verdade que acabara de ouvir. Tudo em vão. Se sentou, fechou os olhos por uns segundos e voltou a olhar o rapaz que parecia ser feito de coragem. Não se esforçou em dizer algo, esperava que, pelo menos desta vez, seu olhar não lhe entregasse. Tudo em vão.

O rapaz provido de toda aquela imagem quase que intacta, olhou e viu sua vida naqueles olhos tristes. Sentou ao seu lado, fechou os olhos com medo de se ver mais uma vez, e a abraçou com todo o amor que estava ainda tão jovem em seu coração.

A música, por sua vez, ainda dizia aos ouvidos receosos toda verdade; uma eternidade má, mas que os levariam para onde quisessem.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Em sigilo, explodiu.

E justo Ela, que passou sua vida inteira evitando tal assunto, é agora a criatura que mais pensa em tal.
Não só no sentimento em si, que sejamos bem claro, mas principalmente no terceiro, o qual lhe vem causando tanto incomodo. 
Seremos bem discretos, por tal motivo, nenhuma identidade será aqui revelada - tudo no mais puro sigilo, como a mesma desejou. 
Começou tudo meio estranho - mas nada diferente do que eu e até mesmo vocês não tenhamos passado. A pobre ria sozinha somente por ter lembrado do tal rapaz; fazia associações toscas e sem sentido, mas para Ela tinha e logo depois sorria por longos e intermináveis minutos.
Um tempo passava, Ela se sentava e parava. Volta para si e sentia um ódio de si mesma, ah como sentia! Por que rir sozinha? Estava ela ficando louca? Não pensava em nada mais, e por algum motivo, não se cansava de ficar nessa mesmisse. 
Uma rotina inacabável de tantas ações iguais. De tantos sentimentos. Não ia ser capaz de aguentar.
"Vou explodir a qualquer momento! Impossível isso estar acontecendo"
Mas aconteceu.
Como se odiava por estar sentindo algo que tanto repudiou. Ela não foi tão forte quanto pensava. Era fraca.
Uma fraca tola que se rendia a todos esses sintomas do... Bom, você sabe.

- Mas para que então quer um documento, seja este o que for, para registrar o que sente, menina?
- Para me lembrar da primeira vez em que eu tive (quase) a coragem de confessar tudo o que há dentro de mim.
E explodiu.

Blah, não faz sentido. E talvez nunca fará.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pequeno Dilálogo entre o Falso Poeta e um Homem Qualquer

- Naquela manhã, eu não vi o Sol nascer, mas eu sabia que ele já estava lá.
- Ah! Como você é clichê.
- Mas eu disse alguma mentira?
- Não... Mas podia ter dito de outra forma. Ou quem sabe esquecer um pouco esse seu lado poético por alguns instantes.
- Tolice a sua. As pessoas subestimam muito os clichês, isso não me agrada nem um pouco.
- Quer dizer então, que você defende a padronização de frases de efeito e palavras bonitas?
- Nunca ousei nem pensar nisso! Enlouqueceu?
- É o que você está deixando a entender, caro poeta.
- Nada disso.
- Me diga, o que é, afinal?
- Talvez não seja tão fácil de você enxergar da mesma forma que eu, é complicado. O clichê não passa de uma verdade cansada; é sincero: simples e honesto. Apenas não há mais como dizer tal.