sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A dança


Nunca dançamos. Acho que nunca nos passou na cabeça de dançarmos ao som de alguma música instrumental, daquelas bonitas e melancólicas, muito menos nesses barzinhos da vida que tocavam as músicas cafonas que nós (secretamente) gostávamos. Uma pena.

Hoje eu abri aquela caixinha. Não tinha música. Não tinha uma carta sua escondida. Mas havia duas miniaturas de nós mesmos, ironicamente, dançando sem ritmo, nem expressão. Não tinham voz, o toque parecia-me tão frio e nem um olhar existia para compensar isso tudo. Ainda bem que nunca dançamos.

E a caixinha se fechou. Nada mais aconteceu, a tão conhecida inércia tomou conta do quarto e ali fiquei, escutando as vozes e as imaginárias melodias que os devaneios traziam consigo. Lembrei da dança que nunca existiu. Que falta ela me faz.

"E por que não dançam agora? O Sol já vai nascer."
Acontece que, para nós, o Sol já se pôs. E nunca dançamos.