terça-feira, 20 de março de 2012

Feli

Peço, humildemente, sua licença, para lhe contar um segredo: Sou um amigo muitíssimo íntimo da Sra. Felicidade, ou Feli, como eu prefiro chamar. 
Algumas tardes, conversamos durante horas sobre as manchetes dos jornais antigos, sobre a tristeza alheia, sobre poesias indecifráveis de Vinícius, sobre onde ela estará na semana que vem... Agora uma pausa pois, peço-lhe perdão, por não poder contar os detalhes, mas Feli, simplesmente me mataria (se bem que morrer de Felicidade não deve ser tão ruim assim, não?). Pois bem, nossas conversas sobre o tempo, são deliciosas! Não pense que são só conversas, caro confidente desconhecido, eu sei de algo que ninguém jamais ousou saber: Feli tem olhos castanhos, que no Sol se transformam em misteriosas florestas daquelas que ninguém é capaz de se infiltrar. Ah! Mas que alegria é poder mergulhar nesse olhar tão límpido. 
Acho que amo Feli.
E ainda não sei se devo confessar tal paixão, tenho medo que ela resolva viajar para o Norte e me deixe aqui, perdido nos ventos sulinos. Não! Perder Feli, mais uma vez, eu não seria capaz.
Pois mal (e isso por acaso existe? Desculpe-me, estou tentando variar meu ordinário vocabulário), mas isso não acontecerá. Feli uma vez me contou, bem aqui, em meus ouvidos, que eu era seu único amigo. Oh! Que declaração, meu coração se encheu de sua própria presença, Sra. Felicidade.

E por que estou aqui, nesta tarde, sem Feli? Ela disse que visitaria um pobre infeliz, que já clamava seu nome há anos - ainda bem que a senhora é de boa índole. Mas eu espero, de toda minha alma, que ela volte de noite, pois dormir com o meu coração em Feli não há nada melhor.