sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Diálogo pós-almoço da Vida e da Morte

- Eu não entendo, não consigo entender.
- Qual é tua dúvida agora?
- Esse ódio compulsivo das pessoas por mim. Diga-me, como a senhora, tão cheia de rugas das mais profundas, é tão mais amada que eu?
- Pois a senhora acha que esses teus cremes para o contorno dos olhos ajudam no teu caráter, você está...
- Que caráter o quê! Ponha-te no teu lugar, nenhuma de nós têm caráter. Poupe-me.
- Pois eu tenho! Já que faço questão de buscar aqueles seres tão desesperados, tão amargurados... Pobrezinhos.
- Olha só, toda essa tua arrogância, e eu ainda sou a culpada pelo infortúnio alheio.
- Aquieta-te, vai... Tu sabes muito bem como esses seres que Deus insistiu em amar são.
- Antes eu soubesse...
- Tudo para eles se livrarem da própria culpa de ter criado uma existência vil. Então pare de choramingar, ainda há os que te amam e sempre te louvarão.
'Pensa que eu nunca quis ser você? Com toda essa sua mania surpreender! E o que resta a mim, se não ser a única certeza desses seres tão tolos?
- Verdade, a senhora é, de fato, deveras previsível...
- Dá-me licença de tuas acusações! Pois agora, eu, prestativa que sou, buscarei mais alguns que ali se deitaram.

5 comentários:

Hilza de Oliveira disse...

Nossa, que saudade de vir aqui. Não lembrava como era bom ler seus textos.
A vida é o ponto de partida, a morte o fim. A vida é uma "caixinha de surpresas", a morte é a certeza.

Fernanda Pires disse...

Amei o texto! No meu ponto de vista, as duas são uma só, mas que vive em uma constante crise com si mesma.
Saudade dos seus textos, são lindos! :D

Skyline Spirit disse...

pretty nice blog, following :)

Juliana Rangel disse...

Que texto lindo! Me fez lembrar a menina que roubava livros *_*

Russia Adventure Tour disse...

Nice! You're like reading a short story that you'll ponder later. Thanks!